domingo, 4 de outubro de 2009

A morte encefálica


Morte encefálica significa a morte da pessoa.É uma lesão irrecuperável do cérebro após traumatismo craniano grave, tumor intracraniano ou derrame cerebral.É a interrupção definitiva e irreversível de todas as atividades cerebrais. Como o cérebro comanda todas as atividades do corpo, quando morre, os demais órgãos e tecidos também morrem. Alguns resistem mais tempo, como as córneas e a pele. Outros, como o coração, pulmão, rim e fígado sobrevivem por muito pouco tempo.

A morte encefálica pode ser claramente diagnosticada e documentada através do exame da circulação cerebral por técnicas extremamente seguras, embora existam opiniões contrárias a esta afirmativa.Por algum tempo, as condições de circulação sangüínea e de respiração da pessoa acidentada poderão ser mantidas por meios artificiais, ou seja, atendimento intensivo (em UTI, com medicamentos que aumentam a pressão arterial, respiradores artificiais, etc), até que seja viabilizada a remoção dos órgãos para transplante.É importante que não se confunda morte encefálica com COMA.

O estado de coma é um processo reversível. A morte encefálica não. Do ponto de vista médico e legal, o paciente em coma está vivo. Para que a morte encefálica seja confirmada é necessário o diagnóstico de, pelo menos, dois médicos, sendo um deles neurologista. Estes médicos não podem fazer parte da equipe que realizam o transplante. Os exames complementares, ou seja, além do exame clínico, para confirmar a morte encefálica, que inclui eletroencefalograma e arteriografia cerebral, são realizados, pelo menos duas vezes, com intervalo de seis horas. Só então a morte encefálica pode ser confirmada.

Transplantes Renais

A quantidade de pessoas com doença renal crônica que poderia estar se preparando para a realização de um transplante em Goiás chega a cerca de 5 mil pessoas, diz Djalmes de Souza Brito, presidente da Associação dos Doentes Renais Crônicos de Goiás. “Esses pacientes permanecem presos à máquina de hemodiálise (que substitui a função renal). A espera por um transplante costuma superar a seis meses”, ressalta Djalmes.

A preparação para a realização do transplante de órgãos, frisa ele, é dolorosa e complexa. É necessária a realização de vários exames, o que nem sempre é uma tarefa fácil.

Aos 42 anos, Valdivino Eterno Pinto se apega a uma força divina em sua espera. “Só vou continuar vivendo se eu fizer o transplante ou se Deus me curar”, diz o comerciário. Com os rins paralisados, faz hemodiálise três vezes por semana. Há quatro meses, após uma série de exames, entrou para a fila do transplante renal.

Taxa de efetivação é de apenas11%

Os dados globais da atividade de captação de órgãos, também presente no Registro Brasileiro de Transplantes divulgado semana passada pelo Ministério da Saúde, mostram que, em Goiás, a taxa de efetivação da doação de órgãos para transplantes é de 11,1% dos potenciais doadores do Estado. A média nacional de doadores efetivos no Brasil é de 25,5%, considerando o desempenho do Sistema Nacional de Transplantes no período de janeiro a junho deste ano. O porcentual só é maior que o do Estado do Pará.

A maioria das taxas que medem a quantidade de transplantes realizados (por milhão de população) revela índices bem menores em Goiás que a média do Brasil. No caso dos transplantes renais, cuja média nacional é de 21,9 transplantes por milhão de população (pmp), em Goiás o índice é de 9,6 pmp.

O desempenho dos transplantes de medula óssea também é bem inferior ao da média. No Brasil, a taxa é de 7,8 transplantes de medula óssea pmp. Em Goiás, ela é de 3,8 pmp. Os dados da Central de Notificação, Captação e Distribuição de Órgãos de Goiás (CNCDO-GO) mostram que, em 2005, a quantidade de transplantes realizados em Goiás, considerando os de córnea, rim, coração e medula óssea, chegou a 1.002. O balanço dos nove primeiros meses de 2009 revela queda acentuada no número de cirurgias: foram realizados no período só 368 transplantes de órgãos.

Pintor aguarda transplante do coração

Desde que descobriu ser portador de doença de chagas, o pintor Waldivino Luís Gonzaga, de 54 anos, vê os dias passarem do lado de dentro da casa onde mora, em Goianira, na região metropolitana de Goiânia. “Não consigo andar mais de 50 metros sem sentir muita dor e um cansaço enorme”, relata. Com esperança de voltar a ter vida normal, candidatou-se há cinco meses ao transplante de coração. É um dos 13 da lista de espera em Goiás.

“Esperar é angustiante”, revela. “Sinto muita depressão porque não sei até quando vou aguentar”, diz. A preocupação de Waldivino com o tempo tem razão de ser. Nos anos de 2007 e 2008, Goiás não realizou um transplante cardíaco sequer. A realização, este ano, de dois transplantes de coração, porém, encheu o peito dele de esperança. “Quem sabe eu também não consigo, não é mesmo?”.

Às vezes o corpo sofre mais que o normal. “Passei 20 dias internado esses tempos.” Acompanhado por uma equipe de médicos do Hospital Santa Genoveva, em Goiânia, o pintor passa os dias em alerta. “Deixei uns dez números de telefone lá no hospital”, conta. “Não posso correr o risco de ligarem e não me acharem”, explica. Ansioso e, como ele mesmo se denomina, alerta, chega a desconfiar do telefonema da reportagem. “Você é repórter mesmo ou está ligando porque tem um transplante pra mim aí?”.

Menino de 1 ano já aguarda uma córnea

Os resultados de exames solicitados por um médico de Goiânia na terça-feira podem colocar Felipe Gabriel Teixeira Almeida na lista de espera por um transplante de córnea. O bebê, que completou 1 ano no dia 12, nasceu cego. A família espera que ele possa começar a enxergar.

A visão deve amenizar o drama do menino, filho caçula da dona de casa Clícia Mônica Barbosa Almeida e do funcionário público Paulo Roberto Rosa Teixeira - pais também de Ruan Pablo, de 3 anos. É que Felipe, que mora em Campinorte, a 315 quilômetros da capital, nasceu com uma doença genética muito rara e sem cura: a progeria, que provoca o envelhecimento precoce e compromete o crescimento e o desenvolvimento da criança.

O garoto, que não anda nem fala, também tem um refluxo, o que o obriga a se alimentar somente de leite de soja. Os tratamentos são paliativos, mas no caso de Felipe vêm sendo ameaçados pela falta de recursos da família, que conta apenas com a renda de um salário mínimo mensal. A maior parte do tratamento do garoto é feita em Goiânia e muitas vezes a família depende de ajuda para as despesas da viagem.